Tudo em seu devido tempo. As dores das mãos ainda inchadas pela osteoporose, as cãibras nas pernas. É manhã: ela se levanta, toma o seu pequeno almoço, já pensando como será o dia de trabalho, a praça estará cheia hoje, batatas, grelos, hortaliças, será tudo vendido, não sobrará nada. Com esses pensamentos, desce os dezoitos degraus de sua casa em direcção à praça. A aragem gelada em sua face descoberta, e ela caminha em passos rápidos. Bom dia, bom dia, bom dia, preciso correr, onde estão as chaves? Caraças!… E assim se passa mais um dia, o qual não pode ainda acabar, pois ele ainda a espera lá, para acender a lamparina, trocar as flores, ver se está tudo em ordem, até que suas raízes também sejam cortadas, como as de todos nós um dia serão.